Assistência odontológica a pacientes com hipertensão

ALVES, L. A. C; CIAMPONI, A. L. Cuidados odontológicos de pacientes com hipertensão. In: UNA-SUS/UFMA. Atendimento odontológico em pacientes com doenças crônicas não-transmissíveis. Assistência odontológica a pacientes com DCNT: diabetes, hipertensão e doença renal crônica. São Luis: UFMA; UNA-SUS, 2020.

Hipertensão arterial

Quando a pressão feita pelo sangue nas paredes arteriais é forte de mais. A história clínica odontológica deve incluir o diagnóstico de hipertensão, a forma de tratamento, a identificação dos medicamentos anti-hipertensivos, a adesão do paciente ao regime terapêutico médico, a presença de sintomas associados à hipertensão e o nível de estabilidade e controle da doença.

fluxograma de orientação para a consulta odontológica
valores pressão
classificação de pressão

Atenção

A queda brusca da pressão arterial e/ou hipotensão ortostática que pode acometer indivíduos usuários de anti-hipertensivos (especialmente aqueles com efeito vasodilatador) pode acarretar síncope (desmaios) entre outros danos.

Níveis tensionais

Anestésico

O uso de anestésico local com vasoconstritor é indicado para pacientes hipertensos, em doses reduzidas, uma vez que o controle da dor e do estresse emocional são importantes, pois aumentam a liberação de catecolaminas endógenas. Ex.: a adrenalina 1:100.000 ou 1:200.000 pode ser utilizada em doses pequenas; o ideal é não ultrapassar o limite de dois tubetes por sessão, quando se tratar de uma pessoa hipertensa controlada. A sedação inalatória com óxido nitroso/oxigênio também é recomendada para esse fim.

Felipressina:

Por apresentar como principal vantagem uma repercussão reduzida sobre o sistema cardiovascular, a literatura aponta que a felipressina 0,03 UI/ml é o vasoconstritor de melhor escolha para pessoas cardiopatas. A dose máxima de felipressina recomendada para pessoas cardiopatas não deve ultrapassar 0,27 UI, o que equivale a cinco tubetes de 1,8 ml. 

AINEs

Outro cuidado está relacionado à prescrição medicamentosa de anti-inflamatórios não esteroidais (Aines) que podem afetar o mecanismo de ação de drogas anti-hipertensivas como β-bloqueadores, inibidores da ECA e diuréticos. Por isso, devem ser prescritos por períodos curtos, de no máximo quatro dias. Desse modo, seria ideal prescrever o medicamento por cerca de três dias e orientar a pessoa a diminuir a ingestão de sal durante o uso de Aines.

Outras condutas

Devem-se planejar sessões curtas de atendimento, preferencialmente na segunda parte do período da manhã. A pressão arterial (PA) deve ser monitorada antes, durante e após toda a intervenção, na dependência do quadro de hipertensão do paciente.

Pulpite e abscessos

em pacientes com PA sistólica acima de 160 mmHg e/ou diastólica acima de 100 mmHg, deve-se discutir o caso com o médico da equipe antes de realizar o procedimento e avaliar de forma conjunta a medicação a ser indicada para a redução da PA.

Principais manifestações bucais associadas ao uso de medicações por pacientes hipertensos

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